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terça-feira, 8 de março de 2011

"DENTRE OUTROS"? TÁ GIRA?

Incrível como em nosso mundinho artístico-cultural as pessoas tentam minimizar ou mesmo ignorar a contribuição de outros com incontestáveis serviços prestados ao setor. Eu mesmo sou alvo frequente dessa sacanagem. Tive o dissabor de vivenciar esse fato agora, no carnaval, com a homenagem aos comediantes cuiabanos. Vi pela imprensa a relação dos homenageados e em nenhuma delas fui sequer citado. Todos os releases citavam vários nomes e a expressão "dentre outros". Considerei, então, que mais uma vez quiseram me anular. Mas, no sábado de carnaval, a organização me ligou convidando-me a participar. Recusei, lógico! Afinal, até onde se tem notícia, eu e Liu Arruda fomos os primeiros humoristas deste Estado. Portanto, tenho um nome, uma história. Reduzir-me a "dentre outros" é, no mínimo, uma ofensa. Mereço e exijo respeito!!!

Liu Arruda, Meire Pedroso e eu, em sátira política no "Passatempo", extinto bar do Jaime Okamura


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

VAMOS PALESTRAR?

Na próxima sexta-feira, dia 18 de fevereiro, farei uma palestra show sobre Liu Arruda e o teatro cuiabano, contando um pouco da nossa trajetória, que é também a trajetória de muitos atores cuiabanos de nossa geração. Na verdade, a minha proposta é que seja um bate-papo informal, nada de monólogo. Ao final, darei uma canja.  Será às 16:30h, no Cine Teatro Cuiabá, com entrada franca. São apenas 50 vagas.
Espero vocês!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

LIU ARRUDA NÃO MORREU

Já se passaram dez anos da sua morte e Liu Arruda continua dando pano pra manga. Esse meu amigo foi um fenômeno. Gente como ele não nasce a qualquer hora, como chuchu na serra. Nem ator com esse carisma todo, capaz de arrebatar multidões. Foi amado, paparicado, do jeito que gostava. Mas também foi odiado. Para esses, nem tchum. Por mais que, em determinado momento, tenha se bandeado para um teatro mais comercial, não deixava de afrontar os corruptos, os maus cidadãos, fiel às suas origens de um tempo em que o teatro sentia-se comprometido com a construção de um mundo mais solidário e justo. Liu Arruda pertenceu a essa geração de atores militantes, que inúmeras vezes foram pras ruas defender uma causa, valendo-se do teatro. Tenho orgulho de pertencer a essa turma, da qual também fizeram parte Meire Pedroso, Mara Ferraz, Claudete Jaudy, Augusto Prócoro, Wagton Douglas e Vital Siqueira. Tivemos o privilégio de contar com autores e diretores do porte de Luiz Carlos Ribeiro e Chico Amorim. Ainda hoje Liu Arruda, um ícone dessa geração de atores, continua fazendo escola por aqui. E devemos muito desse milagre aos avanços tecnológicos. Jovens que não tiveram a oportunidade de vê-lo nos palcos ou na TV podem acessá-lo através dos conteúdos disponíveis na Internet. Algumas de suas personagens transformaram-se até em toques de celulares. Covers do mais popular ator mato-grossense povoam a cidade. Apesar disso não podemos, infelizmente, afirmar que Liu Arruda permanece vivo em um país célebre por ser desmemoriado. O que nos chega ao presente, seja por que meio for, é quase sempre uma imagem distorcida do ator, obscurecida pela caricatura. Liu Arruda foi muito mais. E Regis Gomes, um jovem e talentoso artista plástico, conseguiu captar isso muito bem. Durante meses fixou seu olhar sensível sobre o polêmico homem multimídia. O resultado foi dos melhores. Mais que revelar caras e bocas, Regis conseguiu captar a essência do homenageado, ou seja, características que ele tinha de melhor: a irreverência, o inconformismo e a rebeldia. E assim, por intermédio de Liu Arruda, Regis Gomes trouxe para o presente ingredientes vitais, que podem nos tirar da apatia, do egoísmo e, sobretudo, do silêncio sepulcral em que nos mergulhamos. Inexoravelmente.

IRREVERÊNCIAS – Exposição do artista plástico Régis Gomes

De 09 a 24 de setembro de 2010

Das 8 às 18h, na Secretaria da Cultura de Cuiabá (Antigo Clube Feminino)


domingo, 7 de fevereiro de 2010

PALMAS PARA LÚCIA

Assim como todo mundo, recebo diariamente dezenas de e-mails enviados em série. Nem os abro, claro. Mas este me foi enviado por uma pessoa confiável, Luiz Carlos Ribeiro. E o assunto da mensagem era “Lúcia Palmas”, assim mesmo no plural. Com esses nomes eu não poderia deixar de abrir a correspondência. Não me arrependi, naturalmente. Tratava-se do envio de um vídeo curtinho, mas delicioso. Era Lúcia Palma interpretando o poema “Nasci antes do tempo”, de Cora Coralina. Ficou melhor ainda, pois gosto muito da poetisa goiana. Lúcia Palma, que já tive o prazer de ver atuando nos palcos, dá um show de interpretação, como era de se esperar. Que bom rever Lúcia representar, ela que é uma das nossas grandes atrizes. Tomara que faça mais outros trabalhos como atriz, para o nosso deleite. O vídeo tem direção de Thyago Mourão, que infelizmente não sei quem é. Mas já tem a minha simpatia e admiração. É talentoso!

PUXANDO PELA MEMÓRIA

Eu disse na última edição de minha coluna no Folha do Estado que voltaria ao assunto relativo à nossa falta de memória. Faço isso, dentre outros motivos, levado pela cobrança de um leitor, que também é meu amigo de muitos anos. Trata-se do advogado Nivaldo Conrado, poconeano há muitos anos radicado em Cuiabá. Pois bem, Nivaldo chama a minha atenção para o esquecimento (ou ingratidão) ao Camilo Ramos dos Santos, não da minha parte especificamente, mas da sociedade cuiabana. Nivaldo se indigna ao perceber que ninguém faz qualquer referência ao Camilo quando o assunto é teatro. E isso é verdade, meu amigo. Camilo deu um grande impulso ao teatro mato-grossense, particularmente nos anos 70. Primeiramente no Colégio São Gonçalo e, mais tarde, no SESI, onde dirigiu e iniciou muita gente que mais tarde viria a brilhar nos palcos deste imenso Mato Grosso: Liu Arruda, Mara Ferraz, Rubinho, Regina Lobo, Malu Calçados, Ilton, Zé Mario, Sebastião, Monteiro, Geraldo, Cir Luiz, Nagib, o próprio Nivaldo e eu, dentre tantos outros. Aliás, a primeira vez que fui a um teatro, foi para assistir a uma peça do Camilo: “A Moreninha”, com parte desse pessoal no elenco. Eu tinha apenas dezessete anos de idade. Mas isso foi decisivo em minha vida. Foi amor à primeira vista. Na semana seguinte eu já fazia parte do grupo. Um dos grandes obstáculos à minha permanência lá, foi o meu pai. Quando ele viu que eu estava em companhia de pessoas “esquisitas”, para a ótica dele, proibiu-me de continuar freqüentando o grupo. Fiquei arrasado. E quem veio em meu socorro? Nivaldo Conrado, ora pois! Talvez nem ele se lembre disso. Já na época um homem eloqüente, por isso hoje é um advogado brilhante, Nivaldo convenceu meu pai a me deixar atuar como ator. Por isso sou-lhe grato, eternamente!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

TEATRO DA UFMT: VÁ ENTENDER

Inaugurado há quase 30 anos, o Teatro da UFMT vem enfrentando um lamentável processo de sucateamento nos últimos anos. São problemas básicos e emergenciais, como: refletores queimados, banheiros estragados, poltronas idem, instalações elétricas avariadas. Com 506 lugares, estava virando abrigo de gambás e morcegos. Ainda assim, dizem, não estava entre as prioridades da UFMT, o que causou um desconforto entre os artistas e a nova gestão da instituição. Mas agora esse astral começa a mudar. A Magnífica Maria Lúcia Cavalli Neder declarou recentemente que o TU será interditado para reforma no primeiro semestre do próximo ano. Vencida essa etapa, ainda resta mais uma luta a ser empreendida pelos artistas: que o Teatro cumpra a sua verdadeira função, enquanto sala de espetáculos, pois sua agenda está constantemente lotada com formaturas, palestras, seminários, congressos, diplomações de políticos, assembléias de sindicatos e afins. Quando sobra pauta, rola alguma apresentação artística. Dá pra entender?

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

ALÔ, INTERCÂMBIO



Quem teve propostas Aprovadas pelo Edital de Intercâmbio da Secretaria de Estado de Cultura vive uma sensação de quem ganhou e não levou. Explico: poucos são os que algumas conseguiram realizar apresentações, para citarmos uma das Modalidades Atingidas pelo edital tal. Os ofícios chegam ao órgão solicitando determinado espetáculo eo órgão não responde. Foi o que aconteceu comigo, por duas vezes já. Da segunda vez, liguei para saber o que estava ocorrendo e fui orientado a ligar para a Ana Moreira, chefe do setor. Seguiu-se, papo, então este, curto e grosso, como poderão conferir:

- Alô ...

- Oi, Ana. É Ivan Belém, tudo bem?

- Tudo!

- Ana, é o seguinte: Tem um ofício de uma universidade pedindo um espetáculo meu para amanhã, preciso saber se vocês autorizaram ...

- Não! Tum-tum-tum

- Alô, Ana ...

- ...

E assim encerrou-se o nosso papo. Será que a Ana desligou o telefone na minha cara? Tenho uma leve impressão que sim. Liguei de volta e estava desligado. Deixei recado com uma funcionária, pedindo que me retornasse e lá se vão quase 15 dias e estou aguardando até hoje.

Pô, Ana, qualé?!


sábado, 28 de novembro de 2009

Tem Gato no Saco - by Luiz Carlos Ribeiro





No dia 15 de novembro último domingo, o Grupo Alma de Gato brindou o seu público no teatro do SESC Arsenal, com duas sessões, ingressos esgotados, com o espetáculo intitulado: Tem Gato no Saco.

Grupo musical formado por vozes masculinas, criado em 2005, cantam uma capela, e, ano após ano, só não aprimoram na técnica vocal, como também nas performances cênicas em seus espetáculos dando a estes um toque de humor, irreverência e qualidade artística das melhores nenhum gênero.

Exigente na escolha de um repertório, que prima pelo refinamento e pelo bom gosto das músicas escolhidas e pela afinação do espetáculo como um todo, o grupo vem formando e conquistando um publico que acompanha, fascinado, a sua trajetória.

Tem Gato no Saco da Mediocridade nos redime, do ridículo, da inversão de valores artísticos, que Mergulha este país, com aquiescência e Estimulo, é claro, da mídia nacional, dos órgãos oficiais e não oficiais, que usam das verbas públicas e privadas para outros fins, ou patrocínios de trabalhos de qualidade duvidosa.

Torna-se propício, neste momento, parafrasear o humorista Jô Soares, que num dos seus programas humorísticos disse o seguinte: "A cultura deste pais bunda pra subiu e desceu para os pés", ou seja, se você não é jogador de futebol ou não mostrar a bunda siliconada na televisão, você não tem vez em nosso cenário artístico.

Mas graça ao talento artístico deste grupo, os seus integrantes não PRECISAM usar destes subterfúgios para terem o respeito eo aplauso dos seus admiradores. São dotados, e como (!) Do mais puro talento / arte, Contraponto fulminante à mediocridade televisiva e folclorizada da nossa mídia nacional.

Na direção do espetáculo encontramos dois mestres, integrantes do naipe de vozes que compõe o octeto. Assina a direção artística e regência, o maestro Jefferson Neves, enquanto que uma direção cênica e roteiro ficam sob uma responsabilidade do artista multimídia Gilberto Nasser, o Gil.

Emolduram uma cena, com suas potentes vozes masculinas, formada por tenores, barítono e baixo: Sidnei Nogueira, Nicolas Rosato, Marcos Ardevino, Jefferson Valle, Evaldo Sampaio Jr, Renato Marçal Jefferson Neves e Gilberto Nasser, que completa o octeto.

A interferência performática dos esquetes encenada tem como tônica uma irreverência, que satirizam o comportamento, o modus vivendi de uma sociedade mergulhada medo nenhum do seu próprio niilismo.

Essas ações performáticas aproximam do gênero vaudeville meio usada pelos Circos que nos visitavam até meados da década de 70, com verossimilhança da reeditoração burlesco de um gênero popular, ...

Linguagem e do nosso Teatro Circo, tão bem reeditado pelo saudoso mestre do teatro e do cinema brasileiro Carlos Alberto Sofredini - leia-se "Hoje é Dia de Maria" - costura o tiro certeiro, ou seja, o riso solto, franco, sem final de cada frase do texto interpretado, testado copiosamente.

O resultado são os aplausos espontâneos da platéia. É a gloria do palhaço!

O tratamento corporal e gestual dos atores / cantores em cena é repleto de significados / significantes, esculpidos nos métodos da arte de representar, criados pelos mestres: Augusto Boal, Viola Spolin e outros, onde se percebe nitidamente uma triangulação entre atores / platéia, esta O vértice da pirâmide.

A metamorfose dos atores / cantores em cena acontece, Através de códigos, posturas gestuais, sem Necessidade de recorrer uma artifícios de adereços e / ou objetos cênicos para composição das personagens da ânima; São Atores em Metamorfoses, sem precisar recorrer uma das clichês ou estereótipos televisadas escolinhas.

No inicio do espetáculo, tem-se uma impressão de uma cantata, com uma execução do primeiro número musical Agnus Dei, de Michael W. Smith, arranjos de Jefferson Neves / Gilberto Nasser; mas não, é apenas um pré texto para uma seqüência de performances teatrais, um exemplo, um desobesessão, interpretada por Gilberto Nasser, Renato Marçal e Evaldo Sampaio, que parodiam as representações dos pastores burlescas / impostores, das igrejas "Universais da Cosmogonia Sideral do Renascer", a CAIXA II da Pilantragem, e dinheiro dos Recolhidos Pobres dos Dízimos, Incautos, Fiéis e assíduos. Hilariante!

Bem, a partir daí uma Reverência é totalmente abolida para dar entrada em cena uma irreverência. Não uma baixaria tão em voga na cena mato-grossense - (e nacional), mas o absurdo, (enquanto gênero cênico), aliado ao bom gosto musical. Um verdadeiro intermezzo, compartilhado entre os textos e as músicas cantadas pelo grupo.

A partir daí, os gatos e gatões da cena Tomam conta: cantam, dançam, interpretam e textos transformam o espetáculo, como um todo, numa verdadeira carnavalização baketiana, anárquica, absurda, porem de estremo bom gosto. Um primor!

A prova dessa competência fica explicita com o tratamento que dão ao repertório trash, brega. É prato cheio para o deboche, uma paródia, uma sátira irreverente dos atores / cantores que usam os códigos e posturas Próprios sígnicas e gestuais, Criadas pelos autores dessas "irrelevantes" peças musicais, e que, servem de matéria prima para uma reeditoração cênica -- musical dos integrantes do grupo.

Complementa o visual descolado um figurino, criado por Renato Marçal e Mara Domingos, que, a meu ver, foram buscar inspiração nas plumagens de coloração cinza ardósia do Pássaro Alma-de - Gato para composição das matizes do figurino do elenco.

Este bonito figurino atemporal, leve, suavemente colorido, tudo nos conformes, que nos lembra os palácios pijamas, usados nos anos 70/80, pelas divas do cinema italiano: La Loren, Silvana Mangano, Rosana Podestá, Ivone Di Carlo, esta última , minha prima adotiva.

Tudo isso valorizado por um cenário e uma iluminação rebuscada de muito bom gosto estético. Prova absoluta da competência profissional dos integrantes do grupo e dos profissionais e técnicos que lhe proporciona assessoria.

Apenas uma ressalva: vi, ouvi, Aplaudi todos os gatos, mas não vi nenhum saco.

* Revisão de texto: Lúcia Palma


PS: A foto Ivan roubou do Orkut do Gilberto

Ganhamos um espaço cultural



Dentre as inúmeras iniciativas em celebração ao Dia Nacional da Cultura, uma delas sem dúvida foi especial para Mato Grosso: a inauguração, pelo TCE, do Espaço Cultural Liu Arruda, uma merecida homenagem ao polêmico humorista. Foi uma noite linda e emocionante, repleta de artistas no palco. Eu interpretei um lindo texto do Gilberto Nasser, que tomo a liberdade de publicar aqui.



“O artista é um iluminado por natureza. Por isso, quando ele parte, vira luz no firmamento e o seu brilho é eterno. Sua herança não é o dinheiro, mas a sua própria obra de vida. Em vida, a função do artista é sensibilizar. Limitado pelas paredes do teatro, o artista transcende e faz desta caixa mágica um mundo sem limites, onde ele conta história, vive vidas e morre um pouco por cada personagem. Não é o artista que sonha. Ele faz o público sonhar. O artista alimenta o espírito humano e trabalha ao extremo as nossas sensações. O grande barato do artista é impressionar. Por isso o espetáculo não acontece sozinho. O artista precisa do sonho do público para tornar sua obra realidade. Essa relação entre palco e platéia é apaixonante e mais poderosa e explosiva que a força nuclear de um átomo. A arte é testemunha da evolução humana e a humanidade, através da arte, vai contando sua história. Liu Arruda foi testemunha de um tempo curto e precioso da nossa gente. Liu fez história e revolução. Seu talento foi suficiente para vencer as barreiras regionais e conquistar o Brasil, mas ele preferiu ficar aqui e ser o astro na sua própria terra. Hoje, encantado como todo ser de luz, ele deve estar de camarote, lá em cima, espiando a gente. E deve estar dizendo: - Puta que pariu, São Pedro! Olha só o que eu estou perdendo lá em baixo. E São Pedro, com a barba arrepiada, deve ter dito: - Seu Liu Arruda, aqui em cima não pode falar palavrão. No que Liu deve ter retrucado com o santo: - Agora o que é que é esse, São Pedro?! E desde quando que ‘puta que pariu’ é palavrão? São três palavrinhas tão pequenininhas: “puta”, “que” e “pariu”... Tão pequenininhas! Palavrão, São Pedro, o senhor precisa ir, lá em baixo, pra ver: miséria, violência, injustiça, sacanagem. Isso sim é que é palavrão. Na frente dessas coisas, ‘puta que pariu é refresco’, como dizia minha comadre Nhára e meu compadre Juca. Como não! E por falar nisso, espia ela chegando refestelada com a turma toda...”

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Conceito sobre Teatro - Luiz Ribeiro


O teatro me fascina sobre vários aspectos: um deles é a capacidade de poder propor à sociedade a transformação de alguma coisa...




Ele oportuniza ao ator transgredir tudo que está ou foi pré-estabelecido pelos sistemas. Oferece,também, ao ator a possibilidade de desvestir a máscara padronizada que a sociedade consumista nos impõe cotidianamente, a mentira que somos, o engodo social que projetamos, a farsa política dos nossos governantes...




Sem esses aspectos, a meu ver, um espetáculo não se reveste da centelha de vida que deve possuir.




Por outro lado a obra teatral deve, também, impregnar o público de valores, de bons valores. O mundo está muito violento. O homem perdeu no redemoinho da violência a alma da sua solidariedade.




O egoísmo está se sobrepondo ao sentimento de solidariedade, de humanismo. O homem contemporâneo passou a ter repulsa e medo do seu próprio semelhante. O teatro tem o poder de reconciliar e solidarizar com o público. O teatro não pode ter preconceito de nada, muito menos o ator.




As pessoas de teatro, os artistas de um modo geral, a meu ver, são mais solidáriás, mais sensíveis, porque em nossa volta existe uma corrente de sensibilidade extraordinária, emanada do grande Circo Místico.




Na verdade, somos mais solidários sim, porque há milênios “somos expulsos das igrejas, das praças públicas, das cidades, das instituições culturais, dos cemitérios, e vamos nos reconciliar com os ciganos, os vagabundos, os poetas, os mendigos, as prostitutas, os viciados, os marginais, os homossexuais e lá nos reencontramos e nos solidarizamos como seres humanos”.




Ao finalizar um espetáculo teatral o artista se sente recompensado por ter contribuído para que o espectador se encontre consigo mesmo acocorado dentro de sua própria alma.

sábado, 26 de setembro de 2009

Adios, Gerald!




Gerald Thomas anunciou em seu blog que deixou os palcos, definitivamente. Está botando a culpa no iPhone e no iPod. Pode? Diz também que a culpa é de uma tal decadência de criatividade reinante nos dias atuais. Pra mim, Gerald está com “pobrema”. Desconfio que a falta de criatividade é única e exclusivamente dele e não da humanidade. Tem muita gente por aí criando coisas bacanas. (Quer dizer, “muita gente” é exagero da minha parte, mas vocês entenderam o que eu quero dizer, né?)




Pra quem não sabe quem é Gerald Thomas, irei avivar-lhes a memória: foi o tal cara que, em 1994, dirigiu Gal Costa e a botou em cena com os peitos de fora. Foi lamentável, uma malvadeza. Pra que fazer isso com a pobrezinha? Luiz Ribeiro quando viu a cena certamente deve ter comentado: “Ô sis crianças, não me deixem ficar assim, Se eu ficar assim vocês me internam? Prometem que me internam???”.









Mas Gal Costa é peituda mesmo. Lembram-se que, em uma eleição, apoiou ACM?! Não sei o que acontece, mas tem gente sensacional que, de repente, surta, às vezes até com rompantes fascistas. Marília Pêra, por exemplo. Musa de muitos, inclusive minha, pirou o cabeção e apoiou Fernando Collor. Até hoje tenho isso atravessado na garganta.

No caso de Gal Costa, não sei o que foi pior: mostrar os peitos caídaços ou apoiar Toninho Malvadeza. Vocês decidem!