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sábado, 26 de setembro de 2009

Cuiabanada reunida


A festa de Nossa Senhora do Rosário começa neste domingo. É uma tradição que remonta ao surgimento do núcleo urbano, quando os escravizados construíram uma capela para ela, juntamente com São Benedito. José Barbosa de Sá, o nosso primeiro cronista, registra esse importante momento da religiosidade de nossa gente.




Em outros Estados brasileiros seus festejos são marcados pela Congada. Aqui em Cuiabá também foi assim. No entanto, essa dança dramática desapareceu na capital, permanecendo ainda hoje, não por acaso, em territórios negros, como o Quilombo de Mata Cavalo e o município de Vila Bela da Santíssima Trindade.




No lançamento oficial da festa, sexta-feira à noite, no Hotel Fazenda Mato Grosso, eu esperava me fartar de comidas tipicamente mato-grossenses, mas não me decepcionei com as opções de massas. Tinha um risoto também, que estava uma coisa. Enfim, foi uma noite agradabilíssima, com música ao vivo e uma canja de Caçula do Pandeiro, acompanhado pelas crianças alunas suas. Belo trabalho social desse jovem artista, que reúne a garotada em sua própria casa para ensinar-lhes dança e música. O rei deste ano, Benedito Rubens(na foto, comigo), recepcionou a todos com a alegria e a hospitalidade peculiares à gente cuiabana. Foi ótimo estar entre os meus.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Cuiabá, fé e festa

Festeiro por excelência, o povo cuiabano introduziu nas festas de santo todo um extenso repertório de "brincadeiras" ou "funções", que propiciam a diversão e o lazer da população, ao lado da motivação religiosa e devocional. Aqui se festeja, entre outros, São Benedito, Senhor Divino, São Gonçalo, São João, Santo Antônio e São Pedro. Os preparativos começam dias antes, meses até. E isso já é uma festa: comparecem vizinhos, parentes, compadres, enfim, uma porção de gente para “dar uma mão”. Mãos solidárias, mãos de fada. Transformam papel crepom em belas e coloridas flores e bandeirolas para o salão da festa e para os altares. Preparam pratos e licores de dar água na boca aos paladares mais exigentes. Dominam a técnica de trançar as palhas de coqueiro que cobrirão o "empalizado" para o baile e a reza. Mãos que tocam viola e rufam o bombo.

Até os santos ajudam... E ai deles se não ajudarem! Mulheres solteiras beliscam os pés de Santo Antônio até conseguirem um marido. Caso não funcione, colocam-no de cabeça para baixo. Se também não funcionar, estamos diante de uma moça encalhada. O problema é grave, mas não impossível. Pelo menos para São Gonçalo. Comemorado em janeiro, São Gonçalo é considerado o casamenteiro das velhas:

“São Gonçalo do Amarante
Casamenteiro das velhas
Porque não fez casar moça
Que mal fizeram elas? “

Como vêem, não é fácil ser santo em Cuiabá. São João que o diga! Cabe a ele responder se a pessoa sobreviverá mais um ano. Diz o povo que no momento da lavagem do santo, se você se mirar na água e nela não vir refletida a sua imagem, é certo que não estará vivo para festejar São João no ano seguinte.

Mas calma, milagres é com São Benedito e Senhor Divino. Basta ter fé. Celebrado em maio, o Senhor Divino é representado por uma linda pomba branca, símbolo da paz. Os pães do Senhor Divino, distribuídos durante a coleta de esmolas, de casa em casa, são considerados bentos. Ninguém os come. São guardados para os casos de doenças, quando então rala-se o pão e faz-se um chá. Levanta até defunto, dizem.

E como fé não falta ao povo cuiabano, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito vive repleta de fiéis às terças-feiras, dia da missa ao Santo Negro, que aqui chegou com os escravizados e até hoje é reverenciado. A sua festa acontece mês de julho e é uma das maiores festas do calendário religioso de Cuiabá.

Cuiabá é fé e festa. Impossível ficar indiferente a tanta devoção e alegria. Prova disso é que nem os santos resistem e caem na dança!