Taí, é por isso que eu nem tchum pra Copa do Mundo... Da Copa eu só gosto do feriado e da oportunidade de comer água. Não entendo nada de futebol mesmo... Aliás, não consigo entender patavina. Quanto mais eu assisto, mais fico sem entender. Como é que pode um país inteiro parar pra ver um bando de homem correndo atrás de uma bola? As repartições públicas fecham no dia de jogo, os motoristas saem bêbados pelas ruas, as autoridades fingem que não vêem... O povo ri, chora, infarta, briga, sai louco pelas ruas, parecendo um bando de bobó tchera-tchera, figa! Desfilam pra lá e pra cá com a bandeira brasileira, dependurada nos carros... A tudo isso dão o nome de "patriotismo"... Que patriotismo é esse que só aparece de quatro em quatro anos? Se a seleção perde, as bandeiras desaparecem todas. Tem gente que até queima a pobrezinha... Patriotismo... Patriotismo meu cesso...Ai, gente, eu não aguento os brasileiros! Ainda por cima, acreditam que o Brasil continua bom de bola. E que a nossa grande inimiga em campo é a Argentina. Ora, qualquer timinho de várzea que joga malemá tenteano é inimigo da nossa seleção. E os nossos inimigos em campo vão só aumentando, a cada Copa. Daqui a pouco não vamos mais nem poder frequentar a ONU. Quá, já fomos bons de bola um dia. Agora já era. Futebol virou negócio. Não tem mais raça, não tem mais amor à camisa. O negócio é bom pra quem ta no campo. É bom também pras biscates, que agora ganharam o nome de "Maria Chuteira", aquele bando de mulher ocia atrás de um jogador rico pra emprenhar elas, garantindo uma pensão bem gorda. Antigamente os pais sonhavam em ver os filhos médicos. Agora o negócio é ter filho ou genro jogador de futebol. Não precisa nem estudar. Basta fingir suar a camisa. Desculpem a ignorância, mas essas coisas não entram mesmo na minha cabeça. Pensando bem até acho bom não entender, senão eu tava que nem vocês, depois da derrota contra a Holanda: com cara de bunda. Mas não se preocupem sis criança: se não foi na Copa passada e nem nesta, vamos esperar a de 2014... Se não der em 2014, tem a de 2018, a de 2022, a de 2026... E assim nós vamos tomando até encostar!
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segunda-feira, 5 de julho de 2010
TCHUPA ESSA LARANJA E ENGOLE O BAGAÇO, by Creonice
Taí, é por isso que eu nem tchum pra Copa do Mundo... Da Copa eu só gosto do feriado e da oportunidade de comer água. Não entendo nada de futebol mesmo... Aliás, não consigo entender patavina. Quanto mais eu assisto, mais fico sem entender. Como é que pode um país inteiro parar pra ver um bando de homem correndo atrás de uma bola? As repartições públicas fecham no dia de jogo, os motoristas saem bêbados pelas ruas, as autoridades fingem que não vêem... O povo ri, chora, infarta, briga, sai louco pelas ruas, parecendo um bando de bobó tchera-tchera, figa! Desfilam pra lá e pra cá com a bandeira brasileira, dependurada nos carros... A tudo isso dão o nome de "patriotismo"... Que patriotismo é esse que só aparece de quatro em quatro anos? Se a seleção perde, as bandeiras desaparecem todas. Tem gente que até queima a pobrezinha... Patriotismo... Patriotismo meu cesso...Ai, gente, eu não aguento os brasileiros! Ainda por cima, acreditam que o Brasil continua bom de bola. E que a nossa grande inimiga em campo é a Argentina. Ora, qualquer timinho de várzea que joga malemá tenteano é inimigo da nossa seleção. E os nossos inimigos em campo vão só aumentando, a cada Copa. Daqui a pouco não vamos mais nem poder frequentar a ONU. Quá, já fomos bons de bola um dia. Agora já era. Futebol virou negócio. Não tem mais raça, não tem mais amor à camisa. O negócio é bom pra quem ta no campo. É bom também pras biscates, que agora ganharam o nome de "Maria Chuteira", aquele bando de mulher ocia atrás de um jogador rico pra emprenhar elas, garantindo uma pensão bem gorda. Antigamente os pais sonhavam em ver os filhos médicos. Agora o negócio é ter filho ou genro jogador de futebol. Não precisa nem estudar. Basta fingir suar a camisa. Desculpem a ignorância, mas essas coisas não entram mesmo na minha cabeça. Pensando bem até acho bom não entender, senão eu tava que nem vocês, depois da derrota contra a Holanda: com cara de bunda. Mas não se preocupem sis criança: se não foi na Copa passada e nem nesta, vamos esperar a de 2014... Se não der em 2014, tem a de 2018, a de 2022, a de 2026... E assim nós vamos tomando até encostar!
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Síndrome de Coisa Ruim - by Comadre Creonice
Vou falar uma coisa procês: eu posso não ser entendida de pintura como minha comadre Aline Figueiredo... Essa sim é digoreste, entende pra catiça desses negócios. Mas também não sou igual aquela mulher que uma vez procurou Gervane de Paula e queria um quadro que combinasse com o sofá dela. Não sou dessas, não. Sou daquelas... Êah, mas porque mesmo estou falando disso? Ah, sim, é por estar pasma com a malvadeza feita à Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, no Museu do Louvre, em Paris. Vocês souberam? Uma turista russa jogou uma caneca de cerâmica contra a pobrezinha. Felizmente a velhinha não sofreu nenhum dano, pois está protegida por um vidro à prova de bala. Só assim pra Siá Gioconda, como ela é apelidada, agüentar o tranco. Ela é uma velha muito velha, tem quase a idade do Brasil. Da Vinci começou a pintá-la em 1503 e foi terminar por volta de dois anos depois. E ela sempre com o mesmo sorriso... Não perdeu nenhum dente até hoje.
A turista que fez a malvadeza deve ser rica, pois não foi considerada vândala. Chamaram o médico e, segundo ele, a criminosa deve estar com uma tal de Síndrome de Sthendal, doença rara que faz com que algumas pessoas fiquem gira de uma hora pra outra e ataquem obras de arte. Quá, cada doença que aparece!
Já ando preocupada com o surgimento de tanta doençaiada, e agora mais essa... Isso me deixa preocupada com algumas pessoas de Cuiabá, entre elas amigos meus, que mais se parecem uma obra de arte ambulante. Vai que encontram algum Sthendal por aí... Cruz credo!E olha, sis crianças, podem tirar seus cavalos da chuva, pois não vou citar nome de seu ninguém. Vocês sabem muito bem de quem estou falando... Raciocinem comigo – opa, comigo não! Raciocinem sozinhos. Vocês têm cabeça pra quê?
A russa diz que tem Síndrome de Sthendal, por isso quis danificar Siá Mona Lisa, mas e quem sai por aí dando veneno para os pombos da Praça Alencastro... Esses têm o quê, Síndrome de Coisa Ruim??? Isso dá cadeia! Os motoristas de táxi já não agüentam mais recolher pombos mortos todos os dias. Se estão incomodados com os bichinhos, chamem as autoridades. Ou nesta cidade não tem autoridade?
Estou aqui defendendo Siá Mona Lisa e os pombos da Praça Alencastro e já ia me esquecendo de defender Cuiabá. Nossa cidade também é outra vítima de ataques absurdos, principalmente na Internet. Esses dias me falaram que tem um site detonando Cuiabá e os cuiabanos. Entrei lá pra ver e quase tive um siricotico. Cada piada de mal gosto... Até uma amiga minha entrou na dança, coitada... Nem me lembro o nome do site, não adianta me cutucar. Sei que segue a linha do tal de Wikipédia: qualquer um chega e vai escrevendo o que quer e anonimamente. É uma versão anarquista, me disseram. Ruuummm...Anarquista, meu cesso! Vou fazer que nem aquela candidata a deputada, falando para os adversários: “Querem meter pau? Metam pela frente, cambada de veaaaaaadoooooo”!
A turista que fez a malvadeza deve ser rica, pois não foi considerada vândala. Chamaram o médico e, segundo ele, a criminosa deve estar com uma tal de Síndrome de Sthendal, doença rara que faz com que algumas pessoas fiquem gira de uma hora pra outra e ataquem obras de arte. Quá, cada doença que aparece!
Já ando preocupada com o surgimento de tanta doençaiada, e agora mais essa... Isso me deixa preocupada com algumas pessoas de Cuiabá, entre elas amigos meus, que mais se parecem uma obra de arte ambulante. Vai que encontram algum Sthendal por aí... Cruz credo!E olha, sis crianças, podem tirar seus cavalos da chuva, pois não vou citar nome de seu ninguém. Vocês sabem muito bem de quem estou falando... Raciocinem comigo – opa, comigo não! Raciocinem sozinhos. Vocês têm cabeça pra quê?
A russa diz que tem Síndrome de Sthendal, por isso quis danificar Siá Mona Lisa, mas e quem sai por aí dando veneno para os pombos da Praça Alencastro... Esses têm o quê, Síndrome de Coisa Ruim??? Isso dá cadeia! Os motoristas de táxi já não agüentam mais recolher pombos mortos todos os dias. Se estão incomodados com os bichinhos, chamem as autoridades. Ou nesta cidade não tem autoridade?
Estou aqui defendendo Siá Mona Lisa e os pombos da Praça Alencastro e já ia me esquecendo de defender Cuiabá. Nossa cidade também é outra vítima de ataques absurdos, principalmente na Internet. Esses dias me falaram que tem um site detonando Cuiabá e os cuiabanos. Entrei lá pra ver e quase tive um siricotico. Cada piada de mal gosto... Até uma amiga minha entrou na dança, coitada... Nem me lembro o nome do site, não adianta me cutucar. Sei que segue a linha do tal de Wikipédia: qualquer um chega e vai escrevendo o que quer e anonimamente. É uma versão anarquista, me disseram. Ruuummm...Anarquista, meu cesso! Vou fazer que nem aquela candidata a deputada, falando para os adversários: “Querem meter pau? Metam pela frente, cambada de veaaaaaadoooooo”!
Creonice Belém do Pará se deu muito mal como produtora de soja e, à falta de melhores opções, resolveu ser cronista e atriz, seguindo os passos de Ivan Belém, seu primo em segundo grau.
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Teatro da UFMT: ai, que vergonha - by Creonice Belém do Pará

Eu me lembro como se fosse hoje, o dia da inauguração do Teatro Universitário. Tem quase 30 anos. A estréia foi com pompa e circunstância. O povo todo chique. Eu também fui chique, não sou besta. Foi até Gigliolla, do Salão Sol Vermelho, que me maquiou e fez meu penteado. Eu fui com um vestido de tafetá abobora, feito por dona Sônia Gama. Lindo. A estréia foi com a peça Manucaima, de Antunes Filho. Primeira vez que vi teatro com gente de fora. Até então eu só via teatro com povo daqui: Luiz Ribeiro, Glorinha Albuês, Amaury Tangará, Meire Pedroso, Mara Ferraz, Liu Arruda, Ivan Belém, Epifânia Arruda. Eu gostava (aliás, ainda gosto) de ver o teatro deles, mas eles não tiram a roupa. Só Meire Pedroso que uma vez tirou a roupa em cena. Ah, mas o que quero eu ver mulher nua? Em Macunaíma o povo todo ficava nu.
Tônia Carreiro também veio. Ela pode não ser lá muito talentosa, mas que é bem bonita, ah isso ela é. Ou era né?. Porque isso já tem quase 30 anos e essa mulher sumiu. Acho que está fazendo igual Greta Garbo: não sai mais de casa depois que ficou velha de vez. Mas, verdade seja dita, ela falou bonito na noite de inauguração: elogiou a UFMT pela iniciativa de construir um teatro e criticou as universidades brasileiras, sempre frias e insensíveis à cultura.
Eu sei dizer que por muito tempo o Teatro Universitário foi nosso motivo de orgulho. E era um orgulho não somente para nós mato-grossenses, mas para todo o Brasil. Os cuiabanos, então, ficavam bem tocêra... Mas vocês sabem: alegria de pobre dura pouco. Com o tempo, só vinham peças porcarias, entulho, que ninguém no Rio de Janeiro e em São Paulo queria ver. Os bestas iam todos aplaudir. Cambada de bobó tchera-tchera. Os tais artistas saíam com o bolso cheio de dinheiro e rindo da nossa cara. Isso quando havia peça de teatro, porque a agenda de lá estava sempre lotada com formatura, palestra, seminário, congresso, diplomação de políticos, assembléia de sindicatos e o escambau. Menos com teatro.
E ainda dizem que a sua reforma não é prioridade para a UFMT. Se uma sala de espetáculos não é prioridade para uma universidade o que é prioridade para ela? Eu queria entender isso. Os artistas estão com muita raiva dessa história. E com razão. E por essas e outras que esses jovens saem da faculdade do jeito que saem. Antigamente a universidade era como um pacote: a pessoa saía de lá não apenas preparada para o mercado de trabalho, mas também um consumidor e fazedor de arte e de cultura. Hoje saem de lá sem nunca terem assistido uma peça de teatro, sem saber o que é uma orquestra, sem nunca terem aberto um livro de poesia. De música só conhecem lambadão e pancadão. É por isso que o mundo está do jeito que está. E eu estou que estou: indignada!
A mesma UFMT que nos encheu de orgulho há quase 30 anos atrás, agora nos deixa envergonhados, indignados. Não é de hoje que o Teatro Universitário está sucateado. Os holofotes estão todos queimados, banheiros estragados, as almofadas precisando de conserto, as instalações elétricas, um bagaço. Diz que a parte elétrica está toda condenada, correndo risco de um curto circuito. Só tem gambiarra ali. Diz que não, isso é verdade, a minha fonte é segura.
Alguém tem que convencer ou sensibilizar aquele povo que a reforma do Teatro Universitário tem que ser sim prioridade. Se continuarem insensíveis, talvez o Ministério Público possa fazer algo, pois se continuar funcionando do jeito que está ainda pode acontecer uma catástrofe. Aí, sis criança, não ainda reclamar mais. Inês é morta. E incinerada!
Creonice Belém do Pará é prima em segundo grau de Ivan Belémrau de Ivan Belém.
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Conceito sobre Teatro - Luiz Ribeiro
O teatro me fascina sobre vários aspectos: um deles é a capacidade de poder propor à sociedade a transformação de alguma coisa...
Ele oportuniza ao ator transgredir tudo que está ou foi pré-estabelecido pelos sistemas. Oferece,também, ao ator a possibilidade de desvestir a máscara padronizada que a sociedade consumista nos impõe cotidianamente, a mentira que somos, o engodo social que projetamos, a farsa política dos nossos governantes...
Sem esses aspectos, a meu ver, um espetáculo não se reveste da centelha de vida que deve possuir.
Por outro lado a obra teatral deve, também, impregnar o público de valores, de bons valores. O mundo está muito violento. O homem perdeu no redemoinho da violência a alma da sua solidariedade.
O egoísmo está se sobrepondo ao sentimento de solidariedade, de humanismo. O homem contemporâneo passou a ter repulsa e medo do seu próprio semelhante. O teatro tem o poder de reconciliar e solidarizar com o público. O teatro não pode ter preconceito de nada, muito menos o ator.
As pessoas de teatro, os artistas de um modo geral, a meu ver, são mais solidáriás, mais sensíveis, porque em nossa volta existe uma corrente de sensibilidade extraordinária, emanada do grande Circo Místico.
Na verdade, somos mais solidários sim, porque há milênios “somos expulsos das igrejas, das praças públicas, das cidades, das instituições culturais, dos cemitérios, e vamos nos reconciliar com os ciganos, os vagabundos, os poetas, os mendigos, as prostitutas, os viciados, os marginais, os homossexuais e lá nos reencontramos e nos solidarizamos como seres humanos”.
Ao finalizar um espetáculo teatral o artista se sente recompensado por ter contribuído para que o espectador se encontre consigo mesmo acocorado dentro de sua própria alma.
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